Em bom rigor, julgo poder dizer que chegamos a um momento decisivo na história de Portugal. Historicamente falando, não é a primeira vez que nos encontramos nesta situação, mas acredito que esta será a mais exigente e que exige maior responsabilidade de todos nós, começando pelos políticos.
Continuo a achar que era impossível haver pior altura para eleições, mas, pior que a altura é ter um país onde as pessoas não podem confiam no seu governo.
Contudo não me deixa de preocupar o facto de os políticos estarem mais interessados em retirar dividendos da actual situação do que falar verdade aos Portugueses. Por muito dura que a verdade seja,ela é fundamental.
Será que já não deveríamos ter chamado o FMI? Quem afinal de contas tem medo do FMI? Alguém sabe as consequências desastrosas de estarmos a pagar empréstimos a uma taxa de juro de 9%?
Por mero exemplo, as pessoas neste momento pagam num Crédito Habitação uma taxa média 3,6% e já estão aflitas, agora multipliquem isto por um país inteiro...
Ninguém parou para perceber que neste momento estamos a colocar divida pública para pagarmos antigos empréstimos e que precisamos de colocar essa divida para pagar anteriores empréstimos que já esses não conseguimos pagar (tendo esses mesmos empréstimos sido colocados a uma taxa de juro inferior)
Temos que traçar um rumo rapidamente!
Que temos que cortar o défice (e rapidamente) temos. Não podemos fugir a isso. Fugir a isso é hipotecar o futuro dos nossos filhos e a continuar assim dos nossos netos também.
Como cortar o défice? Definitivamente não pode ser pelo lado da receita.
Já se tentou isso diversas vezes e sempre percebemos que é o caminho errado. Aumentar o IVA também não é solução, pois é uma medida que penaliza todas as classes sociais.
Terá que ser pelo lado da Despesa, e existe tanto para reduzir. Criando uma lista pequena
1- Perceber exactamente quantas fundações, institutos existem em Portugal e que são financiados pelo estado e que "comem" milhões ao longo dos anos não havendo qualquer controle sobre as mesmas. (No dia 30/03/2011 o TC emitiu um parecer que temos que alterar a lei das fundações pois ninguém sabe ao certo quantas existem e quanto custam)
2- Fiscalização eficaz do mercado laboral. É impressionante a quantidade de pessoas que auferem rendimentos do IEFP e que tem empregos paralelos. Juntamente com essa medida temos que rapidamente alterar a lei. Reduzir os prazos de subsidio de desemprego, reduzir as comparticipações e fomentar ainda mais a criação de próprio emprego por essas mesmas pessoas.
3- Reduzir o peso do estado na função publica. Medida polémica mas fundamental. E não pensem que estamos a falar de despedimentos em massa. Julgo que teríamos que ir mais longe e começar pelo topo das hierarquias.
Reduzir administrações, fundir departamentos e organismos, reduzir o número de deputados, cortar nas primazias em todos os sectores (carros, cartões de crédito). Exemplo: É impressionante os juizes continuarem a receber subsidio de deslocação quando auferem o que auferem e mais grave não pagam IRS sobre esses recebimentos.
4- Reformas na área da saúde, justiça, segurança social e ensino. Nem sei por onde começar.
Saúde - combate às listas de espera, maior gestão hospitalar, e criação de mais duas faculdades de medicina, de forma a não termos que importar médicos estrangeiros pagos a peso de ouro ou ir buscar já médicos reformados e pagar salários chorudos.
Justiça - Alterar os pressupostos existentes. Premiar os juízes por produtividade, alterar código do trabalho por um mais actual e em que se incentive a que as empresas contratem. Mais importante que tudo, tornar a justiça célere. Não pode continuar esta impunidade que tudo se pode fazer que ninguém é responsável por isso. Continuo a não compreender como é que um policia no acto da sua profissão, e em perigo de vida, atinge um "ladrão" e passa por uma carga de trabalhos, podendo inclusive vir a ser detido.
Continuo a não compreender como é que existem gestores que delapidam empresas publicas, como é que existem gestores que roubam empresas públicas e não lhes acontece nada...
Segurança Social- As boas noticias é que a última reforma feita pelo actual ministro da Economia Vieira da Silva veio dar mais uns anos de sustento, mas não acredito na sustentabilidade da SS a longo prazo. Julgo que todos deveríamos estudar o modelo Sueco e pensar se não seria melhor para nós.
Ensino- Professores não podem mandar no país. Tem que ser avaliados. Não podem ser aumentados consoante a antiguidade mas segundo o mérito. Temos que reestruturar cursos, repensar o que queremos dos nossos jovens, investir em projectos de integração dos alunos no mundo profissional. Tanto por fazer
5- Acabar com as parcerias público privadas e suspensão de todas as obras públicas de grande investimento e de difícil retorno. Não queremos TGV, não precisamos de um novo aeroporto, não precisamos de mais auto-estradas, precisamos sim de equilibrar as contas públicas.
6- Apostar nas PME´s e nas exportações. Precisamos de criar empregos, precisamos de maior dinamismo das empresas, precisamos de mais projectos exportadores.
Em bom rigor poderia ficar aqui a tarde toda a dar ideias para mudarmos isto, mas acima de tudo o que temos que mudar é a nossa mentalidade, é a nossa falta de ambição, é pensarmos que o dia de amanha vai mesmo ter que ser melhor que o dia de hoje, e que quem manda em Portugal não é as agências de rating, nem os políticos. Somos nós que mandamos em Portugal, para isso basta queremos!!!!
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